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Por que investir em ações?

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Antes de decidir investir em ações, você deve ter algo claro em sua mente. Com que objetivo você pretende aplicar suas economias na bolsa de valores? Você quer comprar um carro ou uma casa? Quer fazer uma bela viagem para a Europa? Quer enriquecer rapidamente? Ou você deseja construir um patrimônio para financiar a sua aposentadoria?

Saber qual o motivo pelo qual você deseja investir em ações é importante não apenas para saber a estratégia, mas principalmente para verificar se o mercado de ações é o meio correto para alcançar seu objetivo. Muitas pessoas acreditam que investir em ações é um caminho fácil para enriquecer rapidamente, ou mesmo realizar objetivos de curto prazo, como pagar pelos custos de uma viagem ou de um automóvel.

Mas essa é uma maneira equivocada de encarar o investimento em ações. Se seu objetivo é de curto prazo, nem pense em investir nesse mercado. Planeje seu orçamento e suas economias para alcançar seu objetivo com outras modalidades de investimento, tais como o investimento em produtos de renda fixa ou mesmo por meio da busca de fontes alternativas de renda, como um segundo trabalho.

Sugiro ao leitor um objetivo para investir em ações. Se você não concorda, peço que ao menos reflita sobre ele. Obviamente, não é o único objetivo para o qual elas podem ser úteis, mas acredito que é a melhor finalidade para a qual as ações poderiam servir: a obtenção de uma renda vitalícia capaz de assegurar a verdadeira independência financeira para o investidor.

Para muitos, a independência financeira é apenas não ter dívidas e ganhar, com o salário, o suficiente para manter um padrão razoável de vida. Outros acreditam que a verdadeira independência é ter a casa própria e ter algum dinheiro acumulado para as emergências da vida; para outros, é passar num concurso público e ter estabilidade e um bom salário. Também há os que acham que independência financeira é ganhar na Mega Sena sozinho, ter um salário espetacular, em torno de R$ 50.000,00 por mês, ou um estilo de vida dos milionários de outros países – com Ferraris, mansões, iates e tudo o que a vida puder oferecer.

Tenho uma visão um pouco diferente sobre o tema. Ter independência financeira significa ter um patrimônio que produza um rendimento sustentável e suficiente para que o investidor e sua família possam pagar suas contas mensais, além de sustentar um estilo de vida condizente com as expectativas do investidor.

O primeiro ponto a ser considerado é que é um conceito baseado na aquisição de ativos, e não apenas na acumulação de dinheiro. Uma pessoa pode acumular muito dinheiro na sua vida produtiva e não ter independência financeira, porque os custos de seu estilo de vida (por mais frugal que seja) pouco a pouco deterioram o capital acumulado. Além disso, a inflação destrói o seu poder aquisitivo de tal forma que, em algumas décadas, uma fortuna acumulada pode ser capaz de sustentar um estilo de vida apenas modesto.

O investidor que acumula ativos, por sua vez, adquire verdadeiras fábricas de dinheiro. Pouco a pouco, os rendimentos dos ativos adquiridos se tornam tão relevantes com relação aos salários do investidor que a renda recebida no trabalho passa a se tornar apenas uma pequena parte do dinheiro disponível. Se o investidor for demitido, sua qualidade de vida não diminuirá em nada.

Para que isso aconteça, os rendimentos obtidos precisam ser sustentáveis. Isso significa dizer que o montante gerado pelos ativos precisa ser suficiente para garantir indefinidamente o estilo de vida do investidor e compensar a perda de poder aquisitivo em razão da inflação. O ideal, na verdade, é que os rendimentos produzidos sejam capazes de sustentar o investidor e sua família e, além disso, continuar a se multiplicar ao longo do tempo.

As ações são uma excelente ferramenta para conquistar esse objetivo, porque seus preços, ao longo do tempo, acompanham o que acontece na vida das empresas. As ações de uma empresa que tem muitas dívidas e termina por falir têm seu valor diminuído ao longo do tempo; e o preço das ações de uma empresa que lucra, a cada ano, um pouco mais do que no ano anterior, normalmente também se eleva ao longo do tempo. A boa notícia é que o principal objetivo de uma empresa é obter rentabilidade superior a cada ano, e é isso o que torna o mercado de ações essencial para que se obtenha a independência financeira. Ou seja, todas as empresas cujas ações estão disponíveis para negociação têm o objetivo de lucrar, a cada ano, mais do que lucrou no ano anterior. Embora nem todas as empresas alcancem esse objetivo, um investidor atento pode aumentar a probabilidade de encontrar companhias capazes de fazer isso constantemente, ano após ano. São verdadeiras minas de ouro que podem garantir a independência financeira de quem decidir se unir ao seu futuro.