Saturday | September 26, 2020

Daimler decide este ano se Smart continua ou fecha

Dieter Zetsche será substituído em Maio por Ola Kallenius, sendo que ao novo CEO da Daimler caberá decidir se mantém ou fecha a Smart, marca que tem acumulado prejuízos, avança o jornal Handelsblatt.

De acordo com o jornal alemão Handelsblatt, o futuro da Smart está repleto de nuvens negras e isto porque a marca de pequenos veículos do Grupo Daimler tem acumulado regularmente prejuízos, estimados entre 500 e 700 milhões de euros anuais.

A fonte do Handelsblatt é um membro do fabricante germânico, não identificado, que chama a atenção para a forte relação que Zetsche mantinha com a Smart – criada em 1994, mas cujo primeiro veículo foi comercializado em 1998 –, ao contrário de Ola Kallenius, o novo CEO da Daimler, que nunca manteve qualquer tipo de contato com a Smart, o que tornaria mais fácil o seu encerramento.

A confirmar-se, não deixa de ser estranha a decisão, especialmente agora que a Mercedes necessita de ajuda para reduzir as emissões médias de CO2, setor em que a Smart poderá ser uma grande ajuda. Não só está a fazer uma mudança total para a eletrificação, como mesmo antes disso os seus pequenos motores sempre anunciaram uma das médias de dióxido de carbono mais baixas do mercado.

A Smart foi um conceito criado pelo gênio da relojoaria Nicholas Hayek, CEO da SHM (empresa que projetou e desenvolveu os relógios de pulso Swatch). Inicialmente, a parceria para desenvolver este projeto foi firmada com a Volkswagen, em 1991, até que a chegada de Ferdinand Piëch aos comandos. E foi assim que Hayek acabou por estabelecer uma parceria com a Daimler, em 1994. Hoje, o Smart é fabricado com base no chassi, motores e caixas do Renault Twingo, sendo fabricado pela Renault (o ForFour) e pela Smart (o ForTwo).

A pequena marca sempre prejudicou os lucros do grupo Daimler, sendo a última tentativa de a retirar do vermelho a transformação da Smart de um construtor de veículos com motor de combustão, para um especialista em modelos elétricos. Caso não funcione, Kallenius não terá problema algum em “desligar a luz”.

O futuro desta marca, cuja oferta se resume a apenas dois modelos compactos – ForTwo e ForFour – dependerá de a Mercedes arranjar um novo parceiro, que assuma o lugar do Renault, caso esta não renove a parceria. A alternativa é acabar com a marca – o plano interno será esse – e usar a Mercedes como chancela para o lançamento de um novo modelo abaixo do Classe A, que indiretamente permitiria substituir os ForTwo e ForFour e, diretamente, concorrer com os rivais Mini Cooper e o Audi A1. São fortes os rumores que apontam para a denominação Classe U, numa clara colagem ao espírito urbano, havendo até quem já avance que o modelo está pensado para integrar três variantes: a City (com carroçaria de duas e quatro portas), a Shuttle (para a mobilidade partilhada) e a Cargo (comercial). Resta aguardar, na certeza de que a Smart já só comercializa EV nos EUA e comprometeu-se a fazer o mesmo, a partir de 2022, na Europa. E sucede que veículos elétricos pequenos e baratos é uma das especialidades dos chineses da Geely, os maiores acionistas da Daimler.