Wednesday | September 30, 2020

Fui diagnosticado com pré-diabetes. Mudando a alimentação, posso reverter?

Sim. Além de adotar uma alimentação saudável, a prática regular de exercícios físicos, assim como parar de fumar e reduzir o consumo de álcool, também ajuda a reverter o quadro de pré-diabetes.

No caso do cardápio, em específico, o que acontece é que, quando a pessoa consome algum alimento, o corpo passa a produzir insulina, hormônio que normalmente possui seus níveis aumentados em quem corre o risco de desenvolver o diabetes tipo 2. Então, se a alimentação continuar nada saudável, ou seja, pobre em fibras e rica em gordura saturada e em carboidratos mais simples, em especial os açúcares, isso favorecerá o ganho de peso, o que fará com que a insulina pare de funcionar de forma adequada. Com o tempo, o organismo passará a ficar resistente a esse hormônio, e o pré-diabetes não conseguirá ser revertido, desencadeando o diabetes tipo 2. Portanto, o primeiro passo é modificar a rotina alimentar. Algumas dicas são: 

Reduzir o consumo de carne vermelha e de alimentos de origem animal ricos em gordura; Aumentar o consumo de oleaginosas, como castanhas e nozes;

Aumentar a ingestão de alimentos ricos em água e fibras;

Garantir o consumo de frutas e vegetais todos os dias;

Diminuir ou abolir o consumo de açúcar. Isso inclui doces, bebidas industrializadas, refrigerantes etc. Caso seja muito difícil largar os doces, a dica é escolher opções a base de frutas e controlar a quantidade para evitar descontrole da glicemia.

Para entender melhor, o pré-diabetes é um estado em que o nível de glicose já está alterado, mas ainda não preenche os critérios para o diabetes tipo 2. No exame de sangue, essa fase da doença é caracterizada com a glicose acima de 100 até 125 mg/dL, em jejum. Já no teste de tolerância oral, o nível varia entre 140 e 199 mg/dl de glicose, ou também no teste de hemoglobina glicada, que os valores para pré-diabetes encontram-se entre 5,7% e 6,4%.

E como dito, não é somente a mudança no cardápio que pode ajudar a evitar a doença. Se o paciente incluir no pacote a prática regular de alguma atividade física, isso ajudará na redução de peso, fazendo com que as chances de desenvolver diabetes tipo 2 diminuem em 60% —foi o que apontou um grande estudo chamado DPP (Diabetes Prevention Program). O treinamento esportivo ajuda de várias maneiras. Uma delas é promovendo a redução de massa gorda, o que contribui no melhor trabalho da insulina dentro do organismo. O ideal é acumular, no mínimo, 150 minutos de atividade física na semana.

Eliminar o tabagismo também pode trazer uma melhora na saúde como um todo, já que o hábito de fumar aumenta a produção de radicais livres no corpo, que é um dos mecanismos por trás do desenvolvimento de algumas doenças, como o diabetes tipo 2. Já o consumo exagerado de álcool pode favorecer o ganho de peso, que está associado ao desenvolvimento da resistência ao hormônio. O uso de medicamentos, como a metformina, também pode ser indicado pelo médico responsável pelo tratamento. O remédio é eficaz em reduzir até 30% da progressão do pré-diabetes, o que é menos do que a dieta e o exercício físico. Portanto, as mudanças nos hábitos de vida são de extrema importância para reverter o problema e evitar que o diabetes tipo 2 se desenvolva. 

Sintomas de diabetes

Os sinais mais comuns, associados ao excesso de açúcar no sangue, são:

– Sede excessiva

– Fome excessiva

– Aumento da frequência urinária

– Infecções frequentes (como de bexiga ou pele)

– Fadiga

– Visão turva

– Perda de sensibilidade ou formigamento nos pés ou nas mãos – Feridas que demoram muito para cicatrizar

– Perda de peso sem razão aparente

No diabetes tipo 1, as manifestações surgem rápido. Já no tipo 2 a evolução pode levar anos. Muitas vezes não há sintomas ou eles são tão leves que a pessoa só descobre a doença quando já existe alguma complicação. 

Pré-diabetes

Glicemia em jejum de 100 mg/dl a 125 mg/dl

Glicemia em teste oral de tolerância à glicose (2 horas após 75 g) de 140 mg/dl a 199mg/dl Hemoglobina A1c de 5,7% a 6,4%

Diabetes

Glicemia de jejum igual ou superior a 126 mg/dl

Glicemia em teste oral de tolerância à glicose (2 horas após 75g) superior a 200 mg/dl Hemoglobina A1c igual ou superior a 6,5%

O diagnóstico de diabetes deve ser confirmado pela repetição da glicemia de jejum em outro dia, já que há alguns fatores capazes de interferir no nível de glicose, a não ser que o resultado acompanhe sintomas claros do diabetes.

Os diferentes tipos de diabetes

O diabetes tem denominações distintas de acordo com a origem (etiologia) da doença:

Diabetes tipo 1

 Representa cerca de 10% dos casos, é provocado por um processo autoimune —o organismo confunde alguma estrutura própria como um agente invasor, e ativa seu sistema de defesa para acabar com ela. Nos pacientes com esse tipo, o sistema imunológico ataca as células beta, no pâncreas, responsáveis pela produção de insulina.

Diabetes tipo 2 

Na maioria dos casos (cerca de 90% dos pacientes), o corpo não consegue utilizar adequadamente o hormônio que metaboliza a glicose, condição chamada de resistência à insulina, ou essa substância não é produzida em quantidade suficiente para manter o nível de glicose dentro da normalidade. Apesar de ser mais frequente em adultos a partir dos 40 anos de idade, o número de adolescentes e até crianças diagnosticadas com diabetes tipo 2 aumentou, nas últimas décadas, à medida em que a população tornou-se mais obesa.

Diabetes gestacional 

É o quadro de hiperglicemia que pode se manifestar na gravidez, em geral no terceiro trimestre, e que quase sempre desaparece após o parto. A placenta produz alguns hormônios que resistem à insulina e, para piorar, o crescimento do feto também aumenta a demanda pela substância. Esse é um dos motivos pelos quais as gestantes são orientadas a praticar exercícios, ter uma dieta saudável e fazer exames de glicose. Estudos mostram que a prevalência do diabetes gestacional no Brasil varia de 2,5% a 7%. Mulheres que desenvolvem o quadro na gravidez são mais propensas a ter diabetes tipo 2 mais tarde.

Fontes: Claudia Cozer Kalil, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Fernando Valente, endocrinologista e coordenador dos ativos de comunicação da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), Helena Ximenes, nutricionista e membro da câmara técnica do CRN-3 (Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região SP-MS), Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, integrante da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e da EndoSociety, dos Estados Unidos e Rodrigo Moreira, presidente da SBEM.

Insulina

A insulina é um hormônio produzido pelas células beta do pâncreas que se relaciona com o controle de glicose no sangue.

A insulina é um hormônio proteico produzido no pâncreas, mais precisamente em grupos celulares chamados de ilhotas pancreáticas. Nas ilhotas, há células alfa e células beta, sendo essas últimas responsáveis pela secreção da insulina. As células alfa, por sua vez, relacionam-se com a produção de outro hormônio, o glucagon. 

Função da insulina

A insulina está relacionada com o controle de glicose no sangue. Esse hormônio, que atua praticamente em todas as células do corpo, estimula a absorção de glicose pela célula.

A insulina liga-se a um receptor presente na membrana plasmática das células. A ligação gera um sinal que garante um aumento da captação da glicose. 

Insulina e glucagon

A ação da insulina é antagônica à ação do glucagon. Quando os níveis de glicose aumentam, como após a alimentação, verifica-se o aumento da secreção de insulina. Entretanto, quando os níveis de glicose caem, entra em ação o glucagon, que garante a liberação da glicose que está armazenada no corpo. A insulina garante a redução dos níveis de glicose, enquanto o glucagon garante o aumento de glicose no organismo. 

Diabetes Mellitus 

O diabetes mellitus é uma doença em que se observa um aumento dos níveis de glicose no sangue. Essa doença pode ocorrer por causa da destruição das células beta do pâncreas (diabetes tipo 1) ou ainda por uma incapacidade das células de responderem à insulina (tipo 2). 

Tipos de insulina no tratamento de diabetes

Existem várias insulinas que são utilizadas para o tratamento de diabetes. O tratamento mais adequado será ajustado ao paciente. Há a insulina regular, que apresenta estrutura idêntica à humana, e a chamada de NPH, que está associada à protamina e zingo, o que garante um efeito mais prolongado. Elas podem ser classificadas, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, em:

Ultrarrápida

Rápida

Ação intermediária

Longa duração

Pré-misturada regular

Pré-misturada análoga

Vale salientar que atualmente a insulina humana é obtida por meio de bactérias geneticamente modificadas (Tecnologia de DNA recombinante). No passado, ela era obtida a partir do pâncreas de animais.