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As feridas emocionais causadas por um pai ausente

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A ausência paterna gera muito sofrimento e pode deixar marcas emocionais que duram a vida inteira.

Até pouco tempo atrás, o papel do homem na família era trabalhar para sustentar economicamente a mulher e os filhos. Como tinha o poder financeiro, ele era a autoridade máxima da casa, quem dava a última palavra e não se envolvia na criação dos filhos. Muitos eram presentes fisicamente, mas distantes emocionalmente. 

No entanto, com a inserção da mulher no mercado de trabalho, a configuração familiar sofreu uma mudança profunda. O pai e a mãe passaram a compartilhar a responsabilidade na educação dos filhos. Essa transformação trouxe muitos benefícios às crianças. 

Muitos estudos apontam que crianças que têm o pai envolvido na educação:

• Têm a autoestima mais elevada;

• São mais seguras emocionalmente;

• Têm menos probabilidade de abandonar os estudos;

• Se envolvem menos com drogas;

• Desenvolvem relações sociais e afetivas mais saudáveis;

• São mais empáticas;

• Vão melhor na escola;

• Tem mais inteligência emocional; Além disso, as pesquisas constatam que meninas correm menos risco de engravidar na adolescência e de se envolver em relacionamentos violentos e abusivos. 

Se o pai participa da educação, se é solidário e afetuoso, ele pode contribuir bastante para o desenvolvimento linguístico, social, emocional e cognitivo da criança. Também a ajudará a ter uma autoestima mais elevada. 

Por outro lado, um pai ausente pode causar feridas emocionais que persistem toda a vida. Um estudo feito pelo National Fatherhood Initiative descubriu que a ausência paterna pode gerar problemas econômicos, sociais e, inclusive, prejudicar a saúde física e mental do indivíduo. Segundo a organização, os Estados Unidos gastam anualmente US$ 100 bilhões em programas sociais para reduzir os impactos da ausência paterna. 

Características de um pai ausente 

A ausência paterna pode ser física, quando, por exemplo, os pais são separados e o homem tem pouco ou nenhum contato com os filhos ou emocional, quando o casal está junto más o homem não participa da criação dos filhos. 

As principais características de um pai ausente são:

• Falta de empatia: tem pouca conexão afetiva com os filhos e com as pessoas em geral. Mantém relações superficiais. Normalmente esse tipo de pai ausente é assim porque quer e não vê nada de errado nisso. Não se coloca no lugar da mulher e dos filhos, fugindo da responsabilidade de ser pai. Logo, não cria laços emocionais com as crianças.

• Imaturidade emocional: pessoas que não amadureceram emocionalmente têm dificuldade para se relacionar. Não querem e não aceitam crescer. Fogem das obrigações e muitas vezes são pessoas tóxicas. A imaturidade emocional pode ser causada por um trauma na infância. Esses homens vivem como se fossem adolescentes e não são capazes de expressar suas emoções.

• Irresponsabilidade: a maioria dos pais ausentes tomaram a decisão (consciente ou não) de fugir da responsabilidade de criar um filho. Atuam como se a criança não existisse, deixando todas as responsabilidades para a mãe ou outros cuidadores.

• Egocentrismo: só olham para o próprio umbigo. O pai ausente faz seus planos como se os filhos não existissem. Prioriza outros temas como o trabalho, o dinheiro, a vida social, os esportes, etc.

• Obsessão pelo trabalho: muitos pais ausentes são workaholics, podendo passar 14 horas ou mais no escritório. Nunca têm tempo para a família. Mesmo durante as férias, não conseguem desconectar e ter tempo de qualidade com os filhos. A ambição profissional está acima de tudo. 

As consequências emocionais da ausência paterna

Ter um pai ausente deixa muitas sequelas. Segundo os psicólogos, adultos que não tiveram o amor e cuidado paterno costumam ser: 

• Mais desapegados emocionalmente: têm dificuldades em estabelecer vínculos afetivos fortes e que duradouros. Além disso, muitos filhos de pais ausentes, repetem esse comportamento quando se tornam pais.

• Mais inseguros: devido ao sofrimento emocional causado pela ausência paterna, são pessoas que têm mais medo da decepção e do abandono. O medo ao abandono pode gerar uma enorme dependência emocional em relação a outras pessoas.

Além disso, essas pessoas:

• Costumam ter a autoestima mais baixa: a rejeição paterna compromete a autoestima e deixa um vazio difícil de ser preenchido.

• São mais propensas a apresentar algum transtorno psicológico: muitas vezes, o sofrimento gerado por um pais ausente pode ter várias consequências psicológicas como a depressão, a ansiedade e a anorexia.

• São mais propensas a entrar em relações tóxicas: devido à baixa autoestima e à carência afetiva, pessoas que não tiveram um pai presente podem ter problemas para estabelecer relacionamentos saudáveis. Devido ao medo de perder novamente alguém que ama, muitas delas não são capazes de cortar determinados vínculos nocivos, vivendo relações abusivas e infelizes.

• São mais propensas aos vícios: muitos filhos de pais ausentes tentam compensar essa carência de outra forma, podendo ser viciados em drogas, sexo, jogo, compras, etc.

Para refletir

De fato, ter um pai ausente deixa marcas emocionais e psicológicas. No entanto, isso não significa que não seja possível seguir adiante e encontrar a felicidade. 

Se você tem um pai ausente, o primeiro passo para seguir em frente é aceitar como se sente em relação a isso. Também é importante ter em mente que você não é culpada pelas escolhas dos outros, mas é responsável por traçar seu próprio caminho. Ficar remoendo o passado não mudará a situação, mas está nas suas mãos ter um futuro mais feliz. 

Além disso, você pode conseguir ficar mais em paz se passar a valorizar mais outras pessoas que tiveram um papel fundamental no seu desenvolvimento, como a sua mãe, os seus avós ou seus amigos. 

Por fim, se sente que é incapaz de superar essa dor, talvez seja o momento de buscar apoio psicológico. Um psicólogo terá as ferramentas necessárias para ajudar você a ver essa relação de outro prisma.