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Brazilian Music Festival – Destacando os Talentos da Comunidade!

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O Brazilian Music Festival 2021 foi um evento para os artistas do hip hop. Um estilo criado nas ruas da cidade de Nova York. O gênero de música hip hop continua indo além do seu impacto musical e influenciando inúmeros aspectos da cultura dos EUA.

Desde o seu surgimento há 40 anos no Brooklyn, o hip hop se apresenta como definidor de tendências na moda, na forma de dançar e até mesmo na forma de pensar. Da moda ao cinema e de celebridades aos esportes, as tendências do hip hop podem ser vistas em praticamente tudo ao redor.

Trilha sonora para um movimento

Hip hop é a voz do povo. N.W.A. (com os álbuns “Straight Outta Compton” e “100 Miles and Runnin”) e Ice-T (com sua banda, Body Count) previram friamente o conflito social do início da década de 1990 em Los Angeles, Califórnia, enquanto Ice Cube capturou a fúria pós-rebelião em seu álbum “The Predator”. Los Angeles também foi a capital da rivalidade entre as costas leste e oeste no fim da década de 1990; dela surgiram músicas incríveis nas vozes de Tupac Shakur e Notorious B.I.G. Já se vão vinte anos de trégua, e uma nova geração de rappers de Los Angeles, dentre eles o rei das batalhas de rap Dumbfoundead, Trizz com sua influência G-Funk e Ill Camille, estão produzindo letras com uma pegada social mais consciente.

Posicionando-se em Miami  Discussões sobre o rap sulista normalmente giram em torno de Atlanta, Georgia. Mais ao sul, você encontrará uma fábrica de hip hop em Miami, Flórida, com nomes do calibre de Rick Ross, Flo Rida, Trick Daddy e Trina. O grupo 2 Live Crew de Miami foi o primeiro a colocar a cidade no circuito do rap quando os party rappers se tornaram os defensores improváveis do discurso livre. Seu álbum de 1989 “As Nasty As They Wanna Be” foi quase banido pelo governo dos EUA, mas isso serviu apenas para aumentar as vendas da gravação e incentivar ainda mais outros artistas e juntar coro com eles.

Impacto do estilo sobre um gênero

Quando Run-D.M.C. estourou nas paradas no início da década de 1980 vestindo tênis Adidas, as massas começaram a usar Adidas. Outros dos primeiros símbolos da moda incluíram o boné Kangol de L.L. Cool J e as coloridas jaquetas Dapper Dan de Salt-N-Pepa. A coisa ficou mais empresarial em meados da década de 1990, quando Snoop Dogg começou a vestir trajes esportivos da marca Tommy Hilfiger. Mais tarde, os artistas assumiram o controle. Sean Combs, também conhecido como Puff Daddy ou P. Diddy, transformou a indústria no início do século XXI com sua marca Sean John, um estilo chique de rua. Logo outros se seguiram: Jay-Z tem sua linha Gucci elegante, enquanto Kanye West lançou a Yeezy, uma linha sofisticada, mas básica. 

Rap, esportes e cinema se misturam e se juntam

Todos se achavam capazes de fazer rap no início. O comediante Rodney Dangerfield arriscou com “Rappin’ Rodney” em 1983, e o ator Mr. T (“Esquadrão Classe A”) lançou a bem-intencionada “Be Somebody (Or Be Somebody’s Fool)” em 1984. Apesar de ingênuas, essas tentativas abriram as comportas para novas vertentes. Durante sua bem-sucedida parceria com o DJ Jazzy Jeff na pele de Fresh Prince, Will Smith, da Filadélfia, Pensilvânia, tornou-se um próspero ator do cinema e da TV, mantendo sua carreira musical depois como artista solo. Até o mundo dos esportes entrou em cena. Allen Iverson, defensor dos Philadelphia 76ers, foi um dos diversos jogadores de basquete a gravar álbuns hip hop ao lado de Shaquille O’Neal, astro da NBA, que lançou cinco álbuns na década de 1990.

No agito

Com suas raízes nas ruas da Cidade de Nova York, Nova York, a brakedance, no final da década de 1970, estava tão simbolicamente ligada ao rap quanto os rádios gravadores. A forma de arte evoluiu para novas modalidades: o uprocking é uma dança em estilo luta envolvendo dois b-boys (lutadores profissionais), podendo ser vista em vídeos como “Beat It” de Michael Jackson e “I Wonder If I Take You Home” de Lisa Lisa and Cult Jam. O hip hop acabou tomando novos rumos. Em 1987, “Cabbage Patch” do grupo Gucci Crew II inspirou uma dança em que o braço gira formando um círculo. 2010 é o ano da invenção do “Dab”, um movimento repetido diversas vezes por Skippa Da Flippa de Atlanta no vídeo “How Fast Can You Count It” e depois cada vez mais popularizado por seu parceiro Migos.

Word Up: o vernáculo
do Hip Hop

O Hip hop influenciou nossa forma de falar. Palavras como “Def” (legal) e “bad” (sexy/algo bom) são típicas do hip hop , assim como “chill” (ficar frio) (o single de 1988 “You Gots To Chill” de EPMD) e “fly” (algo ou alguém descolado) originária de “Superfly”, um filme de 1971. Você reconhecerá “word”, no sentido de chamar a atenção (cristalizada no single “Word Up”) e “fresh”, no sentido de puro ou novo, usada como nomes para MCs (como a lenda da década de 1980 Doug E. Fresh) e músicas (a faixa de 2000 “So Fresh, So Clean” de Outkast). O Gangsta Rap ressuscitou dos anos 80 palavras como “sucker”, que pode ser trouxa, e “chill”, mas também nos deu “G” (gângster), “gat” (pistola) e muitos outros termos obscenos na década de 1990. “Shizzle”, com suas variações de sure (claro) ou shit (merda) surgiu na década de 2000.

Impacto no cinema

Filmes como “Breakin’ 2: Electric Boogalo” de 1984 e “Krush Groove” de 1985 ajudaram a divulgar o mundo do hip hop ao grande público oferecendo músicas e um dicas práticas virtuais para aspirantes a dançarinos de break. Com o tempo, o impacto do hip hop sobre a cultura American se intensificou. “Do The Right Thing”, um filme de 1989 de Spike Lee, ambientado no Brooklyn na cidade de Nova York, e dois filmes ambientados em Los Angeles, “Boyz N The Hood” de 1991 e a produção biográfica “Straight Outta Compton” sobre N.W.A. de 2015, nos dão um vislumbre de mundos que muitos sequer sabiam de sua existência. Em 2005, “Hustle and Flow”, com ambientação em Memphis, Tennessee, retratou o jogo do rap melhor que qualquer outro filme dos EUA, com sua trilha especialíssima “It’s Hard Out There for A Pimp”, vencedora de um Academy Award por melhor canção original.

A viagem de sucesso do hip-hop pelo mundo desembarcou no Brasil no início da década de 80, na cidade de São Paulo, quando os jovens começaram a receber informações do movimento que estava acontecendo em Nova York.

Grupos de periferia passaram então a se reunir na Galeria 24 de Maio e na estação São Bento do metrô para escutar as músicas vindas do Bronx, acompanhados de novos passos de dança. Os primeiros frequentadores do local foram os dançarinos de breaking, e alguns dos maiores precursores do estilo foram nomes que até hoje causam impacto na cena, como Nelson Triunfo e Thaíde.

Naquela época, o rap ainda era considerado um estilo musical violento e tipicamente periférico. Rappin’ Hood também estava lá vivendo todo esse momento controverso de ascensão da cultura. “A gente corria da polícia só porque fazia rap. Eles chegavam na estação e quebravam nossos discos”, lembra o rapper.

Em 1984, o grupo norte-americano Public Enemy veio ao Brasil para fazer seu primeiro show em São Paulo, impactando um grande número de pessoas com aquela nova cultura. Assim o rap começou a se difundir rapidamente entre as periferias da cidade, mexendo com a autoestima de jovens que buscavam um meio de se integrar à juventude da sua época, dentro de uma sociedade minada de preconceitos e que vivia em um regime de ditadura.

“O álbum ‘Fear of a Black Planet’ do Public Enemy, de 1990, mudou minha vida e minha postura frente ao mundo. Esse disco é histórico. Sua militância foi uma afirmação muito grande na época”, diz Rappin’ Hood. “A banda ajudou muitos jovens negros do mundo inteiro a terem autoestima e a entenderem seu potencial. No Brasil, quem fez isso por mim foram os discos de Thaíde, DJ Hum e Racionais MC’s”.

Os primeiros rappers brasileiros

O primeiro álbum brasileiro exclusivo de rap foi a coletânea “Hip-Hop Cultura de Rua”, lançada em 1988. Nela foi apresentado o trabalho de rappers como Thaíde e DJ Hum, MC Jack e Código 13, que se tornaram lendas na cena.

No ano seguinte foi lançada a coletânea “Consciência Black, Vol. I”, que projetou um dos maiores grupos da história do rap brasileiro: os Racionais MC’s. Formado por Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay, o grupo apresentou um rap voltado para a desigualdade na periferia e injustiças sociais.

O hip-hop domina o País

O hip-hop espalhou-se por todos os cantos da cidade de São Paulo e diversos grupos de jovens começaram a se reunir nos finais de semana para escutar aquele som com o qual tanto se identificavam, dando início a bailes black como o Chic Show, que ditou inúmeras tendências musicais desde a sua criação.

Isso tudo levou ao surgimento de muitas gravadoras dedicadas ao estilo, que produziam compilações com artistas presentes no som daquelas festas. Algumas coletâneas de sucesso lançadas do final da década de 80 foram “Ousadia do Rap”, da Kaskata’s Records, “O Som das Ruas”, da Chic Show, e “Situation RAP” da FAT Records.

Na década de 90, o rap ganhou as rádios de todo o País e a indústria começou a dar ainda mais atenção ao estilo. Natanael Valêncio foi o primeiro DJ a colocar no ar um programa 100% dedicado ao rap, o Movimento de Rua, na Rádio Imprensa. “O Natanael foi um grande mentor na minha vida. Ele foi o cara que me viu bem moleque e acreditou em mim”, conta Rappin’ Hood.

Na mesma época, artistas como Pavilhão 9, Detentos do Rap, Câmbio Negro, Xis & Dentinho e MV Bill começaram a surgir na cena. Em 1993, os Racionais MCs lançaram seu primeiro álbum, “Raio X do Brasil”. O sucesso foi tanto que o grupo foi chamado para abrir o show do Public Enemy, em São Paulo.

Em 1995, o Facção Central destacou-se como o principal nome do gangsta rap brasileiro ao lançar o clássico “Juventude de Atitude”, retratando a violência, crime, pobreza e repressão policial nas favelas de São Paulo. O clipe de “Isso Aqui é Uma Guerra” [assista abaixo], de 1999, chegou a ser proibido pelo Ministério Público.

Em 1997, os Racionais MC’s lançaram “Sobrevivendo no Inferno”. O álbum se tornou um dos maiores clássicos do rap nacional – e continua fazendo história até hoje: em 2018, o disco entrou como obra obrigatória no vestibular da UNICAMP.

De lá pra cá muita coisa mudou. Atualmente, o rap já faz parte do cenário musical brasileiro, vencendo preconceitos todos os dias. Mas apesar de incorporar novas sonoridades e subgêneros, o rap não perdeu sua essência de denunciar as injustiças, vividas principalmente pela população pobre das periferias das grandes cidades.

“Acho que essa popularidade do rap se deve a todos os ‘nãos’ que a velha escola foi obrigada a dizer”, afirma Rappin’ Hood. A nova geração está seguindo um caminho que trilhamos no passado. Muitos se sacrificaram para que o rap pudesse ter esse respeito, para ser o que ele é hoje”.

Em Atlanta GA, tem um novo grupo de jovens se destacando no hip hop, e por mais incrível que isso pareça, são brasileiríssimos. Pessoas que vieram para Atlanta ainda crianças e cresceram assimilando as duas culturas. Acostumados a ouvir música brasileira, portadores naturais da musicalidade criativa que os brasileiros possuem. Eles foram mesclando os estilos, misturando as culturas e principalmente, juntando o melhor dos dois países e transformando tudo isso em música…em hip hop. 

No dia 21 de novembro de 2021, a Viver Magazine promoveu um festival de hip hop, onde se destacaram 7 artistas, todos brasileiros, que puderam mostrar os seus talentos musicais através do hip hop e o resultado, não poderia ter sido melhor. Vimos um show de talentos, que não deixou a desejar em nem um quesito. 

Estamos diante de um novo movimento, de onde com certeza nascerá novas estrelas brasileiras, brilhando em solo americano. E daqui a pouco tempo estaremos aqui, falando novamente sobre algumas dessas estrelas, como destaques de sucesso musical. 

O Brazilian Music Festival – Atlanta, é um evento realizado pela Viver Magazine com o intuito de incentivar e apoiar os novos talentos da comunidade brasileira do Estado da Geórgia. Um evento que conta com o apoio do Consulado Brasileiro de Atlanta GA, da produtora “Chocolate Records”, TBPodcasters, Representados por Junior Meneguetti e Ítalo Tuller. E é patrocinado pela Viver Magazine, pela S2dm representado por Saulo Oliveira, pelo Governo Federal do Brasil, Ministério das Relações Exteriores e também por clientes da Viver Magazine.