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Como o embate entre Rússia e Ucrânia pode afetar o teu bolso

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Nos últimos dias todos os noticiários acabam nos apresentando o clima de tensão que está entre a Rússia e a Ucrânia e a iminente guerra entre esses dois países. Mas por quê? E como isso realmente me afeta? Há quem diga que o foco de se apresentar tal caso seja justamente para não focar nos problemas políticos internos que o governo americano está enfrentando e assim toda a atenção da plateia acaba na busca de um “outro inimigo”.

Para entendermos como essa possível guerra pode afetar o teu bolso aqui na América, preciso antes explicar de forma mesmo que bem superficial o motivo desta tensão entre os países; digo superficial pois vou me abster de detalhes que possam dar qualquer viés democrata, republicano ou que quer que seja.

Em suma: A Rússia vê a Ucrânia como seu próprio quintal devido ao fato de possuir grande população étnica russa e estreitos laços sociais e culturais. 

Em 2014, os ucranianos derrubaram o governo aliado ao presidente russo e, em resposta, a Rússia anexou a península da Crimeia, localizada ao sul da Ucrânia, ao seu próprio território. A atitude foi considerada ilegal tanto pela Ucrânia, quanto por diversos países no ocidente. Neste mesmo período, a Rússia fomentou e financiou movimentos rebeldes separatistas pró-Rússia que ocuparam grandes áreas ao leste ucraniano.

Na primavera de 2021, a Rússia intensificou as ações contra a Ucrânia, chegando perto de uma guerra real. O país lançou ataques cibernéticos e campanhas de desinformação, além de interromper o fornecimento de energia.

Atualmente, apesar de não fazer parte da Otan, a Ucrânia é um “país associado”, ou seja, pode ser aliar no futuro à organização. No entanto, a Rússia quer garantias, por parte das potências ocidentais, de que isso não irá acontecer. Biden comunicou à mídia que se a Rússia empreender uma invasão, os Estados Unidos, juntamente com seus parceiros, responderão decisivamente e imporão custos rápidos e severos. Apresentado o contexto, vamos agora a como afeta o teu bolso mesmo você estando fora da Europa.

A potencial invasão da Ucrânia pela vizinha Rússia seria sentida em vários mercados, desde os preços de commodities tais como trigo, metais preciosos, energia e títulos soberanos (treasury bonds) e mercados de ações.

Um grande evento global de risco geralmente faz com que os investidores voltem correndo para os títulos, geralmente vistos como os ativos mais seguros, e desta vez pode não ser diferente, mesmo que uma invasão russa da Ucrânia arrisque ainda mais os preços do petróleo – e, portanto, a inflação.

A inflação em máximas de várias décadas e os aumentos iminentes das taxas de juros contribuíram para um início de ano irritado para os mercados de títulos, com as taxas de 10 anos dos EUA ainda pairando perto do nível principal de 2% e ainda com ajustes relevantes na taxa básica que estão por vir do Federal Reserve. 

O ouro, também visto como um abrigo em tempos de conflito ou conflito econômico, está se apegando a picos de 13 meses e a prata, conhecida por ter maior volatilidade já caiu 28% de fevereiro deste ano até o momento onde escrevo este artigo. 

Quanto às commodities, qualquer interrupção no fluxo de grãos para fora da região do Mar Negro provavelmente terá um grande impacto nos preços e alimentará ainda mais a inflação de alimentos em um momento em que a acessibilidade é uma grande preocupação em todo o mundo após os danos econômicos causados ??pela pandemia de COVID-19. Lembrando que a Ucrânia, ao manter seus níveis de performance, deve ser o terceiro maior exportador mundial de milho na temporada 2021/22 e o quarto maior exportador de trigo, segundo dados do International Grains Council e a Rússia é o maior exportador de trigo do mundo durante décadas. Qualquer aumento nestes insumos de cesta básica já alimenta pressões inflacionárias em todos os setores da economia.

Os mercados de energia provavelmente serão atingidos se as tensões se transformarem em conflito. Aproximadamente 35% do gás natural de toda a Europa é oriundo da Rússia e a Ucrânia transporta petróleo russo para a Eslováquia, Hungria e República Tcheca. O Ocidente também sentirá as consequências de uma invasão russa, embora para as empresas de energia qualquer golpe nas receitas ou lucros possa ser compensado por um potencial aumento no preço do petróleo, ou seja, a corda certamente estoura no lado mais fraco, neste caso, em nós consumidores.

Já no setor financeiro, o risco está concentrado na Europa, mas não será de se espantar “respingar” algo pra cá. Segundo dados do Bank for International Settlements, os bancos franceses e austríacos têm os maiores entre os credores ocidentais, com US$ 24,2 bilhões e US$ 17,2 bilhões, respectivamente. Eles são seguidos por credores norte-americanos com US$ 16 bilhões, japoneses com US$ 9,6 bilhões e bancos alemães com US$ 8,8 bilhões, todos já olhando para a exposição de empréstimos aos países envolvidos.

Além da grande probabilidade da desvalorização cambial de suas respectivas moedas, tanto Rússia quanto Ucrânia terão seus títulos públicos como o principal ativo de volatilidade e estes estarão na vanguarda de qualquer medida militar tomada. Títulos em dólar de ambos os países já registraram desempenho inferior ao de seus pares nos últimos meses, já que os investidores reduziram a exposição em meio às crescentes tensões.

Particularmente creio que o Covid-19 deixou registrado que nosso bolso está intimamente conectado aos acontecimentos globais mais do que pensamos, mas mesmo assim resolvi trazer estes pontos acima para ficarmos antenados e “salvar” o nosso suado dinheirinho em momentos de caos e incerteza.

Para continuar antenado e saber a melhor maneira de proteger seu capital e como buscar rendimento em cada situação de mercado, siga-me nas minhas redes sociais. Abraços.

JJ Andrade
Empresário, Educador Financeiro e Gestor de Portfólios.

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