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JESUS E O JWST

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O Telescópio Espacial James Webb (JWST), idealizado, projetado, criado e montado ao custo de 10 bilhões de dólares e ao longo de 25 anos, foi lançado com absoluto sucesso no Natal de 2021. Já está lá no espaço, dirigindo-se a um ponto ideal de distância e se preparando para começar a revelar novas, extraordinárias e revolucionárias descobertas, todas sem precedentes, de mundos, mistérios e mecânicas cósmicas. 

Buracos negros, exoplanetas, vida extraterrestre e imagens de ‘momentos’ que se seguiram ao “big-bang”, que só podem ser captadas em infravermelho, são alguns dos focos daquilo que o JWST foi procurar para nos ajudar a entender melhor o universo e a nós mesmos. Desde as primeiras imagens do cosmos, que começarão a chegar em aproximadamente três meses, o JWST deixará queixos caídos, olhos arregalados e pernas bambas. 

Minha fé pessoal em Jesus de Nazaré, em quem estou, não receia nem tem medo de quaisquer que sejam as novidades que advirão dos ‘olhos’ do JWST. Pelo contrário, eu as aguardo com muito entusiasmo, atenção e interesse construtivo, além de nutrir grandes e frescas esperanças para a fé! 

O que me preocupa, e muito!, é perceber que, como em outros momentos da história, uma porção do cristianismo não está preparada para processar parte das novas descobertas, algumas das quais, tenho absoluta certeza, parecerão trombar com concepções de fé religiosa populares ou ortodoxas. 

As implicações ou consequências para a fé cristã serão as mais diversas, algumas excelentes e outras ruins, indo do avivamento ao esfriamento, do despertamento ao afastamento da fé, da criatividade contextual à paralização utópica, do avanço missional ao engessamento mental, da esperança escatológica ao desespero contemporâneo, do entusiasmo à depressão espiritual, etc.

Ao menos os religiosos que experimentam uma fé microcósmica, imediatista e utilitária, que não consideram a criação em sua amplitude, complexidade, continuidade e implicação para nós próprios como família da fé e habitantes dessa nossa ‘Terra’, nem entendem a grandeza de Deus como realidade que tem fim em si mesma e está absolutamente fora do nosso controle, mas concebem um Deus-servo cuja existência tem fim neles próprios, terão seus chãos retirados. 

Também aos que encaram a ciência como inimiga da fé, as novidades serão como golpes atordoantes que, possivelmente, servirão como álibi para mais alienação e negação da realidade. Nesse grupo estão incluídos os que, alegando defender ou proteger a fé, pedirão pela inquisição religiosa dos que abordarem ou apreciarem as novas descobertas e concepções científicas ou se valerem delas para dialogar com a fé. Afinal, a história sempre se repete, certo?

Aquelas religiões que já possuem uma forte teologia da criação, em especial alguns segmentos da fé cristã, navegarão com muitíssimo mais facilidade nas ‘águas’ das descobertas, embora poderão tender a subvalorizar ou subestimar a importância da teologia da redenção. 

E é aqui que mora um dos maiores problemas: partes do cristianismo que possuem uma teologia da criação desenvolvida têm uma teologia da redenção subdesenvolvida, enquanto aqueles que têm uma teologia da redenção desenvolvida possuem uma teologia da criação subdesenvolvida. Vê?

Já há algum tempo venho dizendo que precisamos de uma sólida, informada, responsiva e pertinente ‘teologia do espaço-tempo’ que seja, mais que tudo, profundamente enraizada nas Escrituras. Não a temos ainda! Assim como as demais áreas do conhecimento estão preocupadas em expandir seus espectros de compreensão, considerando as novas informações, a fé precisa aprofundar-se na leitura e enraizamento bíblico, e expandir seu leque de conhecimento!  

Do contrário, continuaremos restritos aos entendimentos que só cabem nesse planeta que o astrônomo Carl Sagan chamou de “Pálido Ponto Azul” ao descrever a visão que a Voyager teve da Terra ao passar por Saturno em direção ao infinito, definindo-o como “um pixel solitário, um ponto de luz dificilmente distinguível de muitos outros pontos de luz”.

Por hora, digo apenas que só uma sólida combinação desses dois eixos bíblico-teológicos — criação e redenção — poderá sustentar, alimentar e alavancar a fé, não somente diante de novas descobertas, por assustadoras e redefinidoras que sejam, mas também de novas concepções do que foi, é e será o universo, e de como a ciência interpretará as novas informações no que tange a sugerir quem somos, de onde viemos e para onde vamos.