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Jesus – Uma visão histórica do grande líder

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Viver Magazine Abril 2022 Opinião
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“E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1:21). Foi assim que José soube que sua esposa daria à luz a figura religiosa mais importante que já existiu: Yeshua, nome curto para Yehoshua, o nome hebraico para Jesus. Uma história que encantou geração após geração, o homem que sacrificou sua vida para salvar toda a humanidade, para mostrar ao mundo a palavra de Deus, o Messias. Com a chegada de mais uma Páscoa, achei oportuno relembrar e investigar a origem de Jesus, a pessoa mais notável da história humana. Existem várias lições de liderança que podemos aprender com suas parábolas. Mas há duas perguntas que gostaria de discutir neste texto: quem foi Jesus de Nazaré? Como sua liderança influencia os líderes de hoje?

Jesus pode ainda ser um enigma para os historiadores, mas ele representa não apenas um líder espiritual, mas é um símbolo de esperança para gerações. O próprio Jesus não deixou cartas, nem documentos pessoais. A única vez que ele foi retratado escrevendo algo foi quando ele ‘escreveu no chão com o dedo” (João 8: 6-7). A maior parte do que sabemos sobre a vida desse homem se encontra no livro do Novo Testamento. Fora do Novo Testamento, quase não há vestígios do homem que alteraria tão permanentemente o curso da história humana. A primeira referência não bíblica a Jesus vem do historiador judeu do primeiro século Flávio Josefo (37-100 D.C.). Em uma breve passagem nas Antiguidades Judaicas, Josefo escreve sobre um sumo sacerdote chamado Ananus, que condenou ilegalmente um certo “Tiago, o irmão de Jesus, aquele que eles chamam de messias” ao apedrejamento por transgressão da lei.

Os primeiros documentos bíblicos sobre a vida de Jesus não foram escritos até décadas após sua morte. E todos aqueles manuscritos originais desapareceram há milhares de anos. Apesar de tudo isso, a palavra de Deus de alguma forma foi preservada ao longo da história. Como estamos nos concentrando na vida e liderança de Jesus, este escritor convida você a dar uma olhada histórica mais de perto no mundo naquela época.

O mundo na época de Jesus

Há dois mil e vinte e dois anos, Roma era a maior cidade do mundo. Quase um milhão de pessoas viviam lá. Embora Pilatos e os representantes da família Herodes sejam as figuras políticas mais proeminentes nos relatos evangélicos, o verdadeiro centro do poder político no mundo de Jesus estava na pessoa do imperador romano. No nascimento de Jesus, o imperador Augusto governava o império. Na Galiléia, o mais belo e fértil de todos os distritos da Palestina, um jovem galileu tornou-se famoso por sua santidade, sua bondade e seus poderes milagrosos. Jesus era único. Sheen em seu livro “Vida de Cristo” menciona “quando o Menino Divino foi concebido, a humanidade de Maria deu a Ele mãos e pés, olhos e ouvidos e um corpo para sofrer” (Sheen, 2019). É como se Jesus fosse verdadeiramente um Espírito Divino que se tornou humano durante os nove meses de gestação.

Augusto foi sucedido por seu enteado Tibério, o imperador que reinou durante o ministério de Jesus como podemos ler em Lucas 3:1 “No décimo quinto ano do reinado de Tibério César – quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia…” Além disso, foi Pôncio Pilatos, nomeado para o governo por Tibério, que considerou Jesus culpado de traição contra Roma. É muito importante analisar todos os aspectos das escrituras, considerando o contexto, os autores e o público-alvo para o qual foram escritas. Não podemos interpretar o Novo Testamento e compreender plenamente a vida e a liderança de Jesus sem conhecer a história, a tradição e a estrutura do que foi escrito. Além disso, analisaremos os diversos retratos de Jesus por diferentes autores.

Muitos autores, um Jesus

Uma maneira encontrada pela igreja primitiva para responder às perguntas dos judeus era contar histórias sobre Jesus. Essas histórias eram formas vívidas e dramáticas ao relatar Jesus. Foi uma época em que a distância entre o judaísmo e o cristianismo começou a aumentar. Quando Jesus morreu, apóstolos como Paulo ajudaram a divulgar sua palavra e seus ensinamentos. Paulo viajou pelo Império Romano pregando nas cidades mais importantes e falou com as pessoas em suas casas, sinagogas e difundiu sua mensagem para judeus e gentios. O cristianismo ainda era um alvo fácil para o Império Romano. Com o tempo, a igreja e a fé cristã cresceram rapidamente. Paulo foi preso em Roma, mas continuou sua pregação. Os atos e escritos de Paulo ajudaram a espalhar a fé cristã no Império Romano.

Sabe-se que a Bíblia está cheia de hipérboles, parábolas, metáforas e poemas. Muitos dos primeiros escritos que compõem o Novo Testamento foram baseados na tradição oral, histórias breves e fáceis de lembrar. Marcos, por exemplo, construiu sua narrativa da carreira de Jesus usando histórias selecionadas sobre Jesus que circulavam na tradição oral. Ele não foi uma testemunha ocular dos passos de Jesus. Além disso, o livro de Marcos tem um ponto de vista muito particular sobre a imagem de Jesus como um Messias inesperado. O livro de Marcos também envolve a vida de Jesus com uma aura sagrada. Parece que o ponto de vista de Marcos é de um admirador ou seguidor próximo que realmente acredita que Jesus estava sofrendo naquela vida. 

Existem diferentes representações de Jesus de Marcos, João, Mateus e Lucas. Nem todos concordam que a principal preocupação é retratar Jesus como este ser espiritual divino. Entre os vinte e sete livros do Novo Testamento, encontramos diferentes abordagens de Jesus. Sua história soa bem simples se você o vir como o Messias, o filho de Deus cuja redenção nos libertou da culpa, sendo “justificado gratuitamente pela sua graça, pela redenção que veio por Cristo Jesus” (Romanos 3:24). Por isso é tão importante entender a história por trás de cada um desses livros, seus autores, o contexto, pois a compreensão real da vida de Jesus está nas entrelinhas. O relato do encontro entre Jesus e uma mulher cuja filha estava possuída por espíritos leva a conclusão que a forma como Jesus as tratou e interagiu com elas, revela-o como alguém que aceitava tudo e não discriminava por raça ou gênero. De acordo com o autor Manz (1998), Jesus tinha “um tipo de liderança que é profundamente eficaz e ao mesmo tempo baseada em uma sabedoria e reconhecimento mais profundos da espiritualidade”.

Jesus foi considerado o novo Adão. De acordo com os relatos bíblicos, Adão foi facilmente manipulado por Satanás. Ele foi um homem fraco em comparação a um forte e fiel Jesus. Como o autor Sproul (2019) descreve, onde Adão desmoronou, Jesus conquistou, onde Adão se comprometeu, Jesus se recusou a negociar, onde a confiança de Adão em Deus vacilou, Jesus nunca vacilou. O segundo Adão triunfou para si mesmo e para nós.

As palavras de Jesus têm um poder inquestionável ainda hoje, mais de dois mil anos após sua morte. Seu legado triunfante inspira, acalma o coração dos que estão em agonia e traz fé aos infiéis. Uma análise precisa do contexto em que Jesus viveu, os aspectos religiosos, sociais e políticos da época pode nos mostrar um homem e líder que muitos cristãos não reconheceriam. A maioria dos que reconhecem Jesus, escolheu acreditar no lado divino em oposição apenas ao homem, filho de José e Maria. Jesus se tornou um ícone de salvação. Seu retorno é esperado pela maioria dos cristãos, temido por alguns e improvável para outros. Inquestionavelmente, quanto mais estudamos, mais entendemos que sabemos menos sobre ele. 

Não existe verdade absoluta, mas, ao mesmo tempo, devemos acreditar que existe. De certa forma, o legado de Jesus ainda está crescendo. Gerações de seguidores provaram que Jesus de Nazaré ainda tem muito a nos ensinar. Jesus era um homem humilde e líder. Ele desmistificou a liderança ao descer ao nível das pessoas comuns. Para Jesus, liderança é criar oportunidades em áreas inexploradas, fazer movimentos estratégicos para atingir seus seguidores, projetando uma disposição amigável em um ambiente hostil. Vamos apenas esperar que sua mensagem seja bem compreendida e que os líderes atuais e futuros usem seus ensinamentos poderosos para trazer paz, fé e amor.

Desejo a todos, uma Feliz Páscoa!