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Meu filho teve um diagnóstico de transtorno do ADHD – e agora?

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Viver Magazine Revista Brasileira nos Estados Unidos
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Primeiramente e muito importante entender a definição dessas duas siglas: ADHD – Attention Deficit Hyperactivity Disorder, em inglês TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, em português

Vamos entender um pouco, o que é o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)? 

É um quadro comportamental em que uma criança apresenta de forma incompatível com a sua faixa etária. É um transtorno neurobiológico de causas genéticas, caracterizado por sintomas como falta de atenção, inquietação e impulsividade. Aparece na infância e pode acompanhar o indivíduo por toda a vida. Estudos mais recentes apontam para a genética como a principal causa relacionada ao transtorno. Aproximadamente 75% das chances de alguém desenvolver ou não o TDAH, são herdadas dos pais. Além da genética, situações externas como o fumo durante a gravidez, também parecem estar relacionados com esse transtorno, infelizmente, ainda muito comum em nossos dias. Fatores orgânicos como atraso no amadurecimento de determinadas áreas cerebrais, e alterações em alguns de seus circuitos, também estão relacionados com o aparecimento dos sintomas, como tem demonstrado a neurociência. 

As exposições a eventos psicológicos estressantes, como uma perturbação no equilíbrio familiar, ou outros fatores geradores de ansiedade, podem agir como desencadeadores ou mantenedores dos sintomas do TDAH. Estima-se que cerca de 3 a 6% das crianças na idade escolar (mais ou menos de 6 a 12 anos de idade) apresentem hiperatividade e/ou déficit de atenção. 

O diagnóstico antes dos 4 ou 5 anos de idade raramente é feito, pois o comportamento das crianças nessa idade é muito variável, e a atenção não é tão exigida quanto em crianças maiores. Mesmo assim, algumas crianças desenvolvem o transtorno numa idade bem precoce. Aproximadamente 60% das crianças que apresentaram TDAH na infância, permanecem com os mesmos sintomas na idade adulta, embora que em menor grau de intensidade. 

É muito importante termos em mente que um “certo grau” de desatenção e hiperatividade ocorre normalmente nas pessoas, e nem por isso elas têm o transtorno TDAH. Para dizer que a pessoa tem realmente esse problema, a desatenção e/ou a hiperatividade têm que ocorrer de tal forma a interferir no relacionamento social e produtivo dela. Além disso, os sintomas têm que ocorrer necessariamente na escola, ou no trabalho, e também em casa, no caso de adultos. Por exemplo – uma criança que “apronta todas” em casa, mas na escola se comporta bem, muito provavelmente não tem hiperatividade. O que pode estar havendo é uma falta de limites (na educação) em casa. Na escola, responde à colocação de limites, comportando-se adequadamente em sala de aula. No adulto, para se ter esse diagnóstico, é preciso uma investigação que mostre que ele já apresentava os sintomas do TDAH, antes dos 7 anos de idade. 

O TDAH Em Meninas e Mulheres   não se manifesta da mesma forma em meninos e em meninas. As meninas têm mais chance de desenvolverem desordens associadas incluindo: ansiedade, depressão, bipolaridade ou transtorno de conduta. As mulheres tendem a ser menos hiperativas e impulsivas, mais desorganizadas, dispersas, esquecidas e introvertidas. Mesmo assim têm menos chance de serem encaminhadas para avaliação e tratamento, porque tradicionalmente, não há muito tempo atrás, as linhas gerais utilizadas para avaliação do TDA e TDAH, focavam se apenas em meninos e homens.

TDAH/ADHD E O Uso Prolongado das Mídias Sociais – Estudos revelam que jovens com alto uso de mídias sócias, jogos e eletrônicos têm mais risco de desenvolverem esse transtorno, por apresentarem sintomas ao longo do tempo, devido aos diversos estímulos neurais, comportamentais, sociais e visuais estão envolvidos na comunicação das crianças e dos adolescentes, expressos em meios eletrônicos e o uso diário. Essa interação com prejuízos e disfunções neurobiológicas cada vez mais precoce e intensa, esta também relacionada ao TDAH. 

Importância De Diagóstico e do Tratamento Médico e Psicológico Desse Transtorno  São vários os motivos que mostram ser de grande importância médica fazer o diagnóstico e o tratamento desse transtorno, para que a criança não cresça estigmatizada como “bagunceiro”, “vagabundo”, “terror dos professores”, ou até mesmo adquirindo apelidos desagradáveis, sofrendo seja pessoalmente ou através da internet – “bullyings/cyberbullings”, como temos visto ultimamente divulgados, os seus  efeitos trágicos e destrutivos nos noticiários. Vitimas de agressões podem se tornar agressores, também. Em fim, para que a criança não fique durante anos com o desenvolvimento atrasado na escola, ou com uma vida social adulta prejudicada em uma sociedade cada vez mais competitiva como a nossa. E importante fazer um tratamento do TDAH para tentar minimizar consequências futuras do problema tais como: a propensão ao uso e abuso de drogas incluindo o álcool e tranquilizantes, os transtornos do apetite e do sono, a propensão ao suicídio, relativamente muito frequente em adolescentes e adultos com TDAH. O transtorno do humor (principalmente a depressão), o transtorno de conduta, e os transtornos ansiosos.

Como o TDAH e diagnosticado – O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde capacitado, geralmente neurologista, pediatra, psiquiatra, psicólogo, neuropsicologo, psicopedagogo. O diagnóstico pode ser auxiliado por alguns testes psicológicos ou neuropsicológicos, principalmente em casos duvidosos, como em adultos, ou mesmo em crianças, para o acompanhamento adequado do tratamento. O tratamento envolve o uso de medicação, geralmente algum psico-estimulante específico para o sistema nervoso central, uso de alguns antidepressivos ou outras medicações. Lembre-se que antes de medicar seu filho, pesquise sobre todos os sintomas colaterais do remédio, com vários profissionais experts na área.  Deve haver um acompanhamento do progresso da terapia, através da família e da escola. Além do tratamento medicamentoso. Uma psicoterapia individual e de família deve ser mantida, na maioria dos casos, pela necessidade de atenção à criança ou adulto com esse transtorno. 

Um aspecto fundamental desse tratamento é o acompanhamento da criança, de sua família e de seus professores, para que a criança possa reestruturar seu ambiente, reduzindo sua ansiedade. Uma exigência quase universal consiste em ajudar os pais a reconhecerem que a permissividade não é útil para a criança, mas que utilizando um modelo claro e previsível de recompensas e punições, baseado em terapias comportamentais, o desenvolvimento da criança pode ser melhor acompanhado. 

Nota: Como complemento desse assunto sugiro a leitura dos artigos que escrevi anteriormente para a Viver Magazine, tais como: “Suicídio” – Uma Palavra Incomoda, edição março de 2022; e Saúde Mental e Importante, edição janeiro de 2022.