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Renda Passiva: a meta do investidor de longo prazo

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(As dicas a seguir são para as pessoas que investem no Brasil, mas você pode adaptar para qualquer lugar do mundo)

Gerar renda passiva deve ser o propósito de todo investidor de longo prazo. Mais do que acumular um grande patrimônio, a receita do sucesso de um investidor é o quanto ele gera de renda passiva a cada mês.

Foco na renda passiva diminui pressão por rentabilidade

João e Maria têm uma renda familiar de R$7.000 por mês e, disciplinado que são, conseguem economizar R$2.000 mensalmente. Em sua cesta de investimentos, conseguem obter aproximadamente 0,5% ao mês em termos reais – ou seja, já descontada a inflação.

Ao final de um único ano, as economias teriam gerado aproximadamente R$ 24.670,00, que gerariam mensalmente apenas R$ 112,79, ou 1,61% da renda mensal do casal. Mas, graças ao potencial dos juros compostos, em pouco tempo esse percentual sobe bastante, sendo capaz de gerar o suficiente para pagar quase metade das despesas mensais da família apenas com a renda passiva gerada pelo patrimônio.

Em apenas 20 anos, João e Maria teriam um patrimônio capaz de gerar uma renda passiva equivalente a 57% de seu salário mensal. Daí pra frente, o crescimento é exponencial: em mais 7 anos, o patrimônio gerado (R$ 1.368.000) é capaz de gerar uma renda passiva mensal de 6.797,32, ou quase o total do salário familiar; e em 30 anos, o patrimônio da família gera o equivalente a 120% do salário – R$ 8.371,23. Como o valor da rentabilidade já descontou a inflação, ela já está considerada nos cálculos.

Ter renda passiva é mais garantido do que esperar pela aposentadoria

A essa altura, muita gente deve perguntar: mas Fábio, por que o casal deveria fazer tanto esforço para economizar por 30 anos se está provavelmente recolhendo para sua aposentadoria? Não seria melhor economizar menos e garantir apenas o suficiente para gerar uma receita passiva necessária para complementar a renda mensal, já que a aposentadoria oficial tem um teto? Considerando, por exemplo, que hoje o teto da previdência é de R$4.663,75, bastaria ter um patrimônio capaz de gerar R$2.336,25, ou quase ¼ do valor do exemplo que mencionei.

O problema é que esse pensamento pressupõe que o atual modelo de previdência social é sustentável no longo prazo, e eu acredito que não. Penso que, daqui a 30 ou 35 anos, se nossos políticos continuarem a agir do modo predatório como tem agido, nosso sistema previdenciário não aguentará.

Com isso, tenha a certeza do seguinte:

(1) o valor das contribuições oficiais para a aposentadoria será muito maior do que é hoje;

(2) provavelmente as pessoas se aposentarão com uma idade muito maior do que hoje; e

(3) o valor dos benefícios recebidos a título de aposentadoria será menor do que é hoje.

Ou seja, quem desejar se aposentar aos 65, 70 anos, provavelmente não poderá depender do sistema previdenciário. Terá que ter uma fonte capaz de gerar uma renda passiva suficiente para custear suas despesas pessoais independentemente da previdência social. Quem não tiver economias terá que ficar nas mãos do governo, provavelmente trabalhando até seus 80 ou, quem sabe (graças aos desenvolvimentos da medicina), 90 anos.

Se você acha quer trabalhar “até morrer”, também é importante considerar a possibilidade de desenvolver uma doença e acabar não sendo possível trabalhar muito além de determinada idade, de modo que ficar na mão da previdência social também não é uma alternativa animadora nessa hipótese. Em resumo: não há alternativa racional. Gerar uma fonte de receita passiva é o melhor passo para uma aposentadoria tranquila.