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Saúde Mental é importante

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Viver Magazine Saúde Mental
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Quando foi a última vez que você se permitiu ficar em paz, sem se preocupar com o trabalho, problemas familiares ou de relacionamentos, e seus afazeres para o dia seguinte? Por acaso, você já parou hoje, respirou e refletiu sobre como anda sua saúde mental?  A saúde mental não pode estar desconectada da saúde do corpo, porque saúde e uma só; lembrando que: ‘é a cabeça que carrega o corpo’!.

Por saúde mental entendemos o equilíbrio entre emoções e ações. Existe uma relação muito próxima entre o que sentimos e como agimos. Apesar de estudos mostrarem que usamos apenas 10% da capacidade total do nosso cérebro. Parece que estamos sempre com nossa mente cheia e cansada com o estresse e ansiedade causados pelas muitas atividades diárias. O nosso corpo é uma máquina e precisa estar perfeitamente ajustado para funcionar bem. Se faz necessário que esse conjunto formado por físico, mente, emoções e espírito estejam em equilíbrio para sentirmos bem-estar e termos qualidade de vida.

Ainda há estigmas na sociedade sobre reservar momentos para cuidarmos de nós mesmos. Embora a percepção geral tenha melhorado muito por conta da pandemia ocasionada pela (Covid -19) e da popularização de temas como saúde emocional, auto sabotagem, síndrome de burnout, distúrbios psicológicos, entre outros na moda; as pessoas estão ligadas demais às suas obrigações, não acreditam na seriedade e gravidade dos transtornos mentais. 

Preconceito – Infelizmente o preconceito ainda é bastante presente no que diz respeito a doenças mentais. Começando pelo conceito que ocupou  na  história: doença mental era loucura – o louco como alguém a ser afastado, enclausurado, aquele que não compartilha da ‘mesma realidade’ que os demais, dentro da sociedade. Durante bastante tempo a loucura esteve associada às questões metafísicas de forma negativa. Aquele intangível que está relacionado ao mal, ao descontrole, ao diferente. Hoje em dia, as questões de saúde mental ainda ocupam um lugar bastante nebuloso. O diabético tem um exame com medida glicêmica que prova o que ele tem. O mesmo vale para questões cardíacas e as demais doenças crônicas. A saúde mental muitas vezes é concebida como uma fraqueza ou frescura do sujeito, algo sobre o qual ele teria condições de atuar, de controlar e não o faz.  Justamente pelo preconceito e julgamento, as pessoas não querem ser reconhecidas no lugar daqueles que têm transtornos mentais, com o risco de serem vistos como fracos ou descontrolados. No caso de crianças então, a família se sente muito culpada e exposta. Mas a vida corrida não nos dá esse tempo de entender o outro jeito de fazer as coisas, das pessoas “diferentes”, não e?. 

Combater o preconceito é  falar, esclarecer, divulgar sobre o tema, propor debates e tentar construir formas de convivências que não afastem quem é “diferente”. Na infância, por exemplo, crianças com transtorno do espectro autista têm bastante dificuldade de inserção, por serem diferentes. Falta, da parte de todos, um pouco de empatia e flexibilidade para pensar onde encontramos o ponto comum. ‘Não é que essas crianças não aprendem, elas aprendem de outro jeito. Não é que não saibam brincar, elas brincam de outro jeito’. Não são crianças problemas; são crianças com problemas! 

Na vida adulta temos que nos permitir sofrer, sermos falíveis imperfeitos quando é preciso e, reconhecer o sofrimento do outro. Respirar fundo em meio ao caos também é importante. Quando não desaceleramos, danificamos a nossa saúde mental. As pessoas tendem a não prestar atenção nisso porque mesmo quando cultivamos hábitos danosos conseguimos funcionar por um tempo. É só quando um transtorno psicológico, como a depressão ou a ansiedade aparecem,  é que tomamos consciência de seus atos. É na calmaria que conseguimos coletar pensamentos e traçar planos de ação. Quando nos tratamos bem e cuidamos de nós mesmos, podemos ultrapassar qualquer obstáculo. Nossos relacionamentos são melhores, nossos esforços profissionais são reconhecidos e nos valorizamos como deveríamos. Porém, ainda não somos ensinados a desacelerar – Algumas pessoas estão com o nível de estresse tão elevado que se transforma em distúrbio. Nesse momento, já não conseguem mais sair da situação sozinhas. A ajuda de um psicólogo, nesses casos, é fundamental, através do processo terapêutico para alcançar a melhora da saúde mental. Outras formas importantes de garantir a saúde mental é ter um comportamento preventivo, a partir de atitudes simples, tais como:

 • Ter pensamento positivo – Normalmente exteriorizamos o que pensamos. Quando conseguimos manter nossa mente em uma posição positiva, vemos as coisas de um modo mais fácil;

• Cultivar atividades prazerosas – Fazer o que se gosta traz um benefício enorme. Se você gosta do que faz, o peso será menor. Importante, também, fazermos atividades fora do horário de serviço ou de estudo que nos tragam prazer e satisfação.

• Investir no autoconhecimento – É fundamental reservar um tempo para alinhar mente, emoções, físico e espírito para nos sentirmos plenos e felizes. Mente sã em corpo são. Os gregos já acreditavam que as doenças da mente estavam conectadas de algum modo à disfunção corporal. (500 a.C. – 100 d.C.)

• Obter calor humano – Fugir do isolamento e estar próximo de pessoas que gostamos mantém nossa mente saudável. Ter relacionamentos pessoais de qualidade proporciona bem-estar.

• Sonhar e ter objetivos – Uma mente ocupada com sonhos e objetivos está focada em metas e não tem tempo para pensamentos negativos. O vislumbre de nosso sonho ou objetivo alcançado traz bem-estar e motiva nossa mente a pensar positivamente.

• Interesses em comum – Ter uma religião, participar de um grupo, e compartilhar interesses, proporciona a sensação de pertencimento. Participar da vida do próximo traz um benefício maior para nós mesmos.

Essas são apenas algumas das muitas atitudes que podemos ter para fugir do preconceito e cuidar da nossa saúde mental. Quando não conseguimos sozinhos, o ideal é procurar ajuda profissional. As doenças mentais são uma constante na vida dos seres humanos desde que o mundo é mundo.  Muito foi feito, descoberto, vários estigmas foram derrubados – mas é fato que ainda hoje milhões de pessoas padecem. Talvez, a internet, as mídias sociais o uso dos eletrônicos, a independência, a facilidade de se viver isolado, o aumento da expectativa de vida, sejam alguns dos fatores responsáveis a piora das doenças mentais, tendo como a grande vila, a depressão – mal do século XXI.  O que posso ver é que somente uma força é tão poderosa a ponto de reverter algumas doenças mentais. O nome dessa força é amor. Creio, talvez de uma forma ingênua, que somente o amor e quando digo amor, me refiro a transferência e contratransferência dentro das sessões – que permite aos pacientes receberem e terem força para testarem as ferramentas que, nós, terapeutas disponibilizamos a eles. Porém, nunca poderemos perder nosso mais precioso bem, o sentir o outro, o olhar, o acolhimento sem julgamento.