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Você ganha o que economiza de seu salário?

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A maior parte das pessoas acredita que “ganha” em suas profissões o valor de seu salário no fim do mês. Ledo engano. O que elas ganham, na verdade, é o que economizam no fim do mês. Se não sobra nada, são verdadeiros escravos.

Quem gasta todo o salário

é um escravo

Sim, escravos. De quem? Em boa parte dos casos, das circunstâncias. De (sub)empregos ruins, que conseguiram porque não tinham qualificação para conseguir algo melhor. O salário realmente é muito baixo, insuficiente para realmente custear as despesas do dia-a-dia. Sair dessa situação — a chamada armadilha da escassez — é muito difícil, e muito provavelmente apenas por meio da atuação de instituições que de fato funcionem.

Mas muita gente não vive nessa situação e, mesmo assim, não consegue economizar. Ainda assim — digo eu — são escravos. “De quem?”, pergunto de novo. De si mesmas. Do consumismo a que estão acostumadas. Podem ganhar aumento salarial e inexoravelmente aumentarão seu padrão de vida. Ganham R$ 5.000 e não economizam nada. Passam a ganhar R$ 7.000 e continuam a não conseguir economizar nada. Podem ganhar R$ 100.000 e — acredite!! — não conseguiriam economizar um único centavo.

Nessa situação, o salário alto não significa rigorosamente nada.

Imagine a situação de duas pessoas, Cláudio e Fabiana. Cláudio é bem remunerado, ganha R$ 20 mil por mês, mas só “consegue” economizar R$ 500. Vive almoçando e jantando com a família em restaurantes de luxo, comprando roupas de grife e quinquilharias. Troca de carro a cada dois anos. Fabiana, por sua vez, ganha R$ 7.000 e, por ser disciplinada e frugal, economiza, a cada mês, R$ 2.000. Em um ano, Fabiana consegue economizar R$ 24.000,00. Cláudio, apenas R$ 6.000,00. Quem ganha mais, mesmo?

Muitos leitores poderiam apresentar a seguinte objeção: Cláudio ganha mais porque tem o melhor padrão de vida. Consegue satisfazer melhor seus sonhos de consumo e, por isso, usufrui mais da vida. Será mesmo? No fundo, é o mesmo dilema enfrentado na fábula da cigarra e da formiga. Hoje a cigarra está a cantar, feliz e contente. Mas a formiga está preparada para os tempos de crise. Será que Cláudio conseguirá manter o emprego para sempre? E, daqui a 20, 30 anos, qual dos dois estará melhor preparado para aposentadoria no Brasil?

Semana passada, foram anunciadas novas regras para a aposentadoria. Eu nem me dou ao luxo de comentá-las por saber que logo logo serão modificadas novamente. E as mudanças são sempre – SEMPRE – pra pior do ponto de vista dos aposentados, porque a Previdência Social é deficitária e a população brasileira está a cada dia se tornando mais velha, impondo maior pressão orçamentária sobre o sistema previdenciário.  O resultado inexorável desse cenário é, basicamente, o seguinte:

os benefícios previdenciários serão cada vez menores;

a idade para aposentadoria será cada vez maior.

Por isso, é urgente que tenhamos menos “Cláudios” e mais “Fabianas”. Fabiana estará preparada para enfrentar a crise e provavelmente nem dependerá do sistema previdenciário para garantir uma velhice tranquila. Já Cláudio provavelmente será um peso para seus filhos durante a velhice, porque gastou todo o seu dinheiro quando deveria estar economizando.